Dois levantamentos recentes mostram que o movimento de fusões e aquisições no Brasil esteve
aquecido no último ano e que a tendência em 2025 é desse mercado seguir em expansão.
A análise é do time de especialistas da Zaxo, boutique de M&A (sigla para Mergers & Acquisitions)
que realiza assessoria customizada para organizações interessadas em adquirir outros negócios,
captar recursos com investidores ou realizar a venda integral da empresa. O cofundador e diretor
da Zaxo, Leonardo Grisotto, considera que as condições conjunturais são favoráveis à
concretização de fusões e aquisições.
Além disso, explica ele, o M&A se configura no mercado como uma ferramenta das corporações na
busca por crescimento e resultados. Ou seja, falar de fusões e aquisições é mais do que abordar
movimentos de compras e vendas de empresas; é tratar de uma verdadeira estratégia adotada
pelas organizações como ferramenta para expandir e perpetuar as atividades econômicas em que
atuam.
M&A também é uma excelente alternativa quando o assunto é a busca por inovações. Por vezes,
para incorporar soluções tecnológicas de ponta aos processos, o caminho se torna adquirir
empresas que estejam nesse estágio mais avançado. “É trazer a tecnologia, a inovação, o
conhecimento, para dentro de casa”, compara o especialista da Zaxo.
Grisotto cita os levantamentos da PwC e da KPMG, sobre o primeiro semestre de 2024, indicando o
momento importante para o setor de M&A no Brasil. O da PwC apontava um aumento de 2% no
volume de transações no primeiro semestre deste ano, em comparação com igual período do ano
passado. “É um resultado, pode-se dizer, na contramão dos resultados globais, já que a mesma
PwC apurou queda de 14% nas transações internacionais”, pontua o especialista da Zaxo.
Já o levantamento da KPMG constata que o trimestre de abril a junho últimos registrou 426
operações de M&A no país, o maior número para um trimestre dos últimos dois anos. “Com esse
desempenho, o primeiro semestre terminou com 776 transações, um incremento de 5% em relação
ao mesmo período de 2023, segundo a KPMG”, cita Grisotto.
Recursos para M&A constituem-se em um item que deve ser previsto pelas corporações, em seus
orçamentos anuais. “Setembro, outubro e novembro, principalmente, é um período em que as
empresas elaboram seus orçamentos. Notamos que a expectativa é que fusões e aquisições se
destaquem na economia brasileira em 2025”, avalia o especialista da Zaxo.
Com o Copom beirando a Selic em 15% e o Fed discutindo cortes nas taxas de juros, o cenário de
M&A para 2025 promete grandes mudanças. No Brasil, o aumento das taxas pressiona o custo de
capital, forçando empresas a buscar fusões para otimizar recursos e garantir liquidez. Nos EUA, a
expectativa de corte nas taxas pode acelerar aquisições, já que o crédito se tornará mais barato.
Tendência clara: em 2025, empresas focarão na eficiência e crescimento não orgânico, tanto para
enfrentar desafios de financiamento quanto para aproveitar oportunidades de mercado.